Blog da jornalista Dulce Dias, onde se faz eco da constatação (e, eventualmente, da consternação) do mundo que nos rodeia. São apenas rascunhos do próprio pensamento, libertos ainda da censura da razão.
Em França, há mais de 30 anos que o aborto foi despenalizado.
França tem, actualmente, a mais elevada taxa de natalidade da Europa dos Vinte e Sete: em 2006, foi atingido o limiar das duas crianças por mulher. A média europeia é de 1,5.
"Pourquoi cette vigueur exceptionnelle de la fécondité française ? Parce que les femmes travaillent ! C'est une des raisons fondamentales de ce dynamisme démographique (rapporte RTL). En France, les femmes peuvent occuper un emploi et avoir des enfants sans être regardées de travers. Ce qui n'est pas le cas en Allemagne, par exemple. Dans l'hexagone, le taux d'activité est extrêmement important : 82% des femmes entre 24 et 49 ans sont actives. Et même si tout n'est pas parfait, il existe beaucoup de solutions pour accueillir les jeunes enfants. Places de crèches, assistantes maternelles, nounous. Plus une scolarisation précoce : 35% des petits vont à la maternelle dès 2 ans, et près de 100% à l'âge de 3 ans."
Votar "sim" no referendo sobre a despenalização do aborto não obriga ninguém a abortar.
Votar "não" retira o direito de o fazer a quem precise.
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Sobre o "início da vida"
"O pulmão só funciona a partir das 28 semanas. A tiróide só segrega hormonas aos quatro meses. O cérebro só amadurece a partir dos cinco meses, aí os neurónios conseguem permitir ao feto o movimento voluntário. Se perguntar às mulheres quando sentem o primeiro pontapé, todas são unânimes em dizer seis meses.
(...)
[O coração] Funciona desde as três semanas, mas as válvulas só se formam aos cinco meses e só aí os vasos sanguíneos chegam a toda a parte."
Sobre a "banalização" do aborto
"Segundo o estudo da APF [Associação para o Planeamento da Família], a maior parte das mulheres que abortaram usava métodos contraceptivos, abortou até às dez semanas e tinha formação secundária ou superior. A gravidez é um acidente de contracepção e 90% não repete a experiência."
As respostas postadas acima, em itálico, são do Dr. Mário de Sousa. "Cientista de proa na procriação medicamente assistida, Mário de Sousa é 'pai' de centenas de filhos de casais inférteis. Mas vai votar Sim no referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
O francês de quem todos os franceses gostavam.
O terceiro francês mais importante da história de França (depois de De Gaulle e de Pasteur).
O fundador do Emaús.
O defensor dos sem-abrigo que, desde os idos de 1954, se bateu para que todos possam ter um tecto.
O homem que dizia que Deus andava a gozar com ele e que nunca mais o chamava para aquilo que considerava ser "as férias grandes."
Deus chamou-o esta madrugada, aos 94 anos.
Segundo a Sophos, um em cada 200 e-mails que circularam pela internet nas últimas horas está contaminado pela ameaça. (...) O invasor chega por e-mail com uma chamada que promete notícias sobre as tempestades na Europa ("230 Dead as storm batters Europe"), mas também pode conter outros títulos, como "U.S. Secretary of State Condoleezza Rice has kicked German Chancellor Angela Merkel", "A killer at 11, he's free at 21 and kill again!" e "British Muslims Genocide".
A Dunyazade, no seu Escrita, escreveu um texto fabuloso em defesa da despenalização do aborto, onde desmonta, com realismo e crueza, uma boa parte dos argumentos do "não".
Sem copiar todo o post, permitam-me estas transcrições:
"(...) Vocês imaginam uma mãe que aceitasse estar nove meses grávida e depois desse esse filho por não ter dinheiro para criá-lo?
Imaginem isto implantado à larga escala.
As vossas mães a carregarem os vossos irmãos no ventre e depois vocês nunca mais os verem; as vossas mulheres a fazerem o mesmo; as vossas irmãs, as vossas cunhadas. Milhares e milhares de bebés dados todos os anos para adopção. E toda a gente sabe que a vida no orfanato é maravilhosa, não sabe? Com sorte até podia calhar na Casa Pia!
Mães deste Portugal a carregarem filhos que nunca mais iam ver."
"E um dia, quando o "azar" bater à porta desta malta, espero que as respectivas filhas ou irmãs façam o mesmo.
- Ó pai, vê lá, se tu tivesses votado..."
No campo oposto, o Blogue do Não - que lança, oficialmente, no próximo dia 23, no Hotel Tivoli, em Lisboa, o livro Blogue do Não - Aborto: Dez semanas de argumentos - conta com 25 colaboradores, que defendem o seu ponto de vista.
E, também aqui, transcrevo uma parte de um post:
"(...) João César das Neves afirmou (...) que, se o aborto for despenalizado, passará a ser algo 'tão normal como um telemóvel'.
João César das Neves falava durante uma conferência de imprensa com o tema 'a liberalização do aborto e aumento do número de abortos', a menos de um mês da realização do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas. No encontro com a comunicação social, o economista apresentou dados europeus (Eurostat) sobre o crescimento do número de abortos após a sua liberalização em países europeus, Estados Unidos e Canadá. De acordo com estes dados, citados pelo economista, a liberalização conduziu a 'um aumento generalizado do número de abortos'. As taxas de crescimento do aborto nos primeiros anos após a liberalização quase triplicaram, disse João César das Neves, acrescentando que 'esse crescimento manteve-se até à actualidade, embora a um ritmo mais brando'."
Pqueno comentário meu: Quando os actos deixam de ser clandestinos, passa a haver dados oficiais sobre eles. É por isso que se registou, nesses países, "o crescimento do número de abortos".
Os objectivos da Associação Empresarial de Portugal, que lançou a iniciativa, são criar um novo estado de espírito na sociedade portuguesa, valorizando a produção nacional, a criatividade, o empreendorismo, o trabalho, o esforço e a determinação, e elevar a auto-estima de empresários e trabalhadores mobilizando-os para produzirem melhor e acreditarem que podem vencer o desafio da globalização.
Do meu ponto de vista, a iniciativa tem todo o mérito. Mas resta saber se os portugueses vão resistir à tentação das lojas chinesas, que vendem produtos ao preço da uva mijona, preferindo pagar um pouco mais por produtos nacionais.
Eu, que moro, em França há quase cinco anos, sempre que possível, deixo as compras para fazer quando vou a Portugal. A roupa portuguesa, por exemplo, é, muitas vezes, melhor do que a confecção francesa; os sapatos então, nem se fala.
Por outro lado, quando optamos pelos produtos nacionais estamos a garantir o emprego do nosso vizinho, do nosso tio, do nosso amigo, de um outro português que vai continuar a trabalhar porque os produtos da sua empresa têm compradores. São mais caros? Talvez. Mas estamos a produzir mais riqueza nacional que nos permitirá ter mais dinheiro para comprar mais produtos nacionais mais caros, aumentando assim o salário do nosso vizinho, do nosso tio, do nosso amigo, de um outro português qualquer... É uma bola de neve positiva.
Além disso, e se nos focalizarmos nos produtos chineses (já que não paro de receber mails antiprodutos made in China), ao não comprarmos produtos chineses, não estamos a contribuir para o trabalho infantil, para a exploração dos trabalhadores, em resumo, para o desrespeito das regras da Organização Mundial do Trabalho.
Talvez esta campanha sirva também para desmotivar eventuais empresários portugueses de apostarem em nomes de marca pretensamente estrangeiros. Para rematar, e parafraseando uma velha publicidade: "O que é nacional é bom".
O mercúrio contido no peixe que comemos provoca malformações nos fetos. O alerta é de um novo estudo, que dá conta que uma em cada seis mulheres tem níveis de mercúrio demasiado elevados no organismo. Este poluente ambiental em contacto com a água do mar transforma-se num neurotóxico, que provoca danos na formação do cérebro das crianças, reduzindo as suas capacidades cognitivas.
O estudo foi realizado em conjunto pela Health Care Without Harm e pela Health and Environment Alliance. Mas, diz Genon Jenses, desta ONG, não é preciso banir o peixe da alimentação das mulheres: "O que dizemos às mulheres é: 'Em certos momentos da vida, comam certo tipo de peixes, peixes que estão mais em baixo na cadeia. Os peixes muito grandes têm níveis de mercúrio superiores e devem ser evitados'."
Esta sexta-feira, em Bruxelas, foi dado o pontapé de saída de uma nova campanha contra o mercúrio. Objectivo: uma interdição total deste metal pesado. Uma medida que a eurodeputada liberal Frédérique Ries vê com bons olhos: "O mercúrio foi proibido numa série de aplicações. Nomeadamente, nos equipamentos eléctricos e electrónicos; em aplicações têxteis; em cosméticos e em certos pesticidas. Ainda não é uma interdição generalizada, mas estou convencida de que aí chegaremos."
A exposição ao mercúrio através da alimentação é um problema mundial. O mercúrio é rejeitado para a atmosfera pelas centrais eléctricas ou pelas incineradoras, por exemplo. Na água, transforma-se em metilmercúrio, o neurotóxico que se acumula no organismo dos peixes e dos moluscos.
Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar "afro-americanos" aos pretos - com vista a acabar com as raças por via gramatical - isto tem sido um fartote pegado!
As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas" e preparam-se agora para receber menção de "auxiliares de apoio doméstico".
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos"; passaram todos a "auxiliares da acção educativa".
Os vendedores de medicamentos, inchados de prosápia, tratam-se de "delegados da informação médica".
E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".
Os drogados transformaram-se em "toxicodependentes" (como se os consumos de cerveja e de cocaína se equivalessem!); o aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez"; os gangues étnicos são "grupos de jovens"; os operários fizeram-se de repente "colaboradores"; e as fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas" e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".
O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante.
Desapareceram outrossim dos comboios as classes 1.ª e 2.ª, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo".
Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação", os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável": à escola primária, passaram a chamar escola básica.
Ainda há cegos, infelizmente, como nota na sua crónica o Eurico. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem.
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.
À margem da revolução semântica ficaram as putas. As desgraçadas são ainda agora quem melhor cultiva a língua. Da porta do quarto para dentro, não há "politicamente correcto" que lhes dobre o modo de expressão ou lhes imponha a terminologia nova.
Os amantes do idioma pátrio, se o quiserem ouvir pleno de vernaculidade, que se dirijam ao bordel mais próximo. Aí sim, um pénis de 25 centímetros é um "car****enorme" e nunca um "órgão sexual masculino sobredimensionado"; assim como dos impotentes, coitados, dizem elas castiçamente que "não levantam o pau", e não que sofrem de "disfunção eréctil".
Uma das poucas vezes, nos últimos tempos, em que a comunicação social francesa falou de Portugal foi quando foi decidido realizar o referendo sobre o aborto.
Os media franceses aguardam agora o resultado da consulta popular do dia 11 de Fevereiro com a mesma expectativa com que aguardam o fim da ditadura na Bielorrússia...
Porque em França, só Le Pen e a extrema-direita neonazi é que são contra o aborto. E mesmo Le Pen já desistiu de incluir esse tópico na campanha eleitoral.
A França vai criar o direito ao alojamento oponível. Uma lei que obrigará o Estado a fornecer alojamento suficiente. (Falta ver como será aplicada uma tal lei... Argumentos pró e contra não faltam!!)
A Alemanha atribui um subsídio de 25 mil euros aos pais de cada recém-nascido desde o dia 1 de Janeiro.
O relatório anual do Instituto Internacional para a Segurança da Imprensa (INSI) relativo às mortes em serviço de jornalistas e profissionais de apoio no decorrer de 2006, contabilizou um total de 167 vítimas em 37 países, o que torna o ano passado no pior de que há registo para a classe. Dos 167 mortos registados, 137 são jornalistas e 30 são outros profissionais ao serviço dos média, como tradutores ou motoristas, e na sua esmagadora maioria foram assassinados no seu próprio país, devido à sua cobertura de conflitos, crimes e casos de corrupção.
De acordo com o INSI, estes dados são preocupantes, uma vez que revelam ¿uma subida acentuada¿ relativamente a 2005 (que já havia tido o recorde de 147 jornalistas mortos), continuando o Iraque a ser o país mais perigoso, com 68 mortes registadas nas 52 semanas do ano transacto.
Na tabela dos países mais perigosos seguem-se as Filipinas (15), o México (8), o Sri Lanka (7) e a Guiana (6), país da América do Sul onde em Agosto um grupo armado entrou na tipografia do jornal Kaieteur News e matou cinco trabalhadores.
Na sua maioria, as vítimas registadas pelo INSI foram mortas a tiro, embora se tenham também verificado oito casos de pessoas espancadas até à morte, seis esfaqueadas, duas decapitadas, duas torturadas, uma apedrejada e uma sufocada intencionalmente. Além disso, 22 profissionais morreram em acidentes aéreos e rodoviários, nove em situações de fogo cruzado e um vítima de ataque cardíaco durante uma conferência de imprensa.
Todos os anos, aqui em França, é a mesma coisa: epidemia de gastroenterite! Ela aí está, novamente, após a época natalícia.
Segundo dados citados pela rádio France Info, desde meados de Dezembro, 400 mil pessoas já foram atingidas pela doença, que se manifesta por diarreia, fortes dores e náuseas. O limiar da epidemia - de 278 infectados por cada 100 mil habitantes - já foi ultrapassado: certas regiões registam 401 pessoas infectadas por cada 100 mil habitantes.
A notícia, em si, seria banal, num qualquer país do terceiro mundo. O que me choca é que ela diz respeito à França, um país rico e dito civilizado. E que, ainda por cima, ela se repete todos os anos: na época de Natal e durante o Verão.
A gastroenterite transmite-se por contacto directo entre seres e as formas de evitá-la são tão básicas que até me faz impressão que seja necessário que os médicos venham repeti-las, todos os anos, nas rádios, nas televisões e nos jornais franceses: respeitar a cadeia de frio (isto é, não voltar a congelar alimentos que foram descongelados), lavar bem frutos e legumes antes de comê-los e lavar as mãos sempre que se vai à casa-de-banho ou depois de mudar a fralda do bebé.
Sim, leram bem: os médicos vêm dizer que é preciso lavar as mãos quando se vai à casa-de-banho! Algo que, em Portugal, se aprende desde pequenino!!!
Apetece-me percebes. Daqueles que comíamos naquele velho bar, à beira da praia. Eram talvez cinco da tarde. Uma hora perfeita para um BSE fresquinho a acompanhar uns percebes ainda com sabor a mar.
A vida tinha, então, um gosto de felicidade bem temperada, um trago de aventura salgada. E de esperança. Esperança num futuro que sabíamos ser nosso. Porque sim. Porque era assim. A vida estava ali, como o mar: à nossa frente. Toda. Inteira.
O ano de 2007 entrou com boas notícias para as marcas de grande distribuição, em França. Desde ontem, dia 1 de Janeiro, os grandes hipermercados, como Carrefour, Auchan e afins, podem - espante-se!!! - fazer publicidade na televisão. Até aqui, era proibido!
Mas a autorização vem acompanhada de regras: nada de publicidade aos artigos em promoção, ela deve ser apenas institucional. E para mostrar o preço de um artigo, é preciso que ele reste inalterado durante, pelo menos, 15 semanas!!!
As rádios e televisões cá do burgo já foram entrevistar os responsáveis pela publicidade das grandes marcas, que não prevêem aumentos no orçamento publicitário, ms sim uma simples realocação das verbas, tanto mais que, dizem alguns, a televisão não representará mais do que 10 por cento do orçamento global de publicidade!!! E afirmam que o importante mesmo vai continuar a ser os outdoors e os folhetos distribuídos nas caixas do correio...
Na minha modesta opinião, tudo isso vai mudar quando descobrirem as maravilhas que a televisão pode fazer ao "sítio do costume"...
Quando perguntaram ao Dalai Lama o que mais o surpreendia no mundo, ele disse que eram os homens, porque, dizia, perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E acrescentava, por pensarem ansiosamente no futuro, esqueceram o presente de tal forma, que acabavam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.