Blog da jornalista Dulce Dias, onde se faz eco da constatação (e, eventualmente, da consternação) do mundo que nos rodeia. São apenas rascunhos do próprio pensamento, libertos ainda da censura da razão.
- Não se pode comer vaca... estão loucas
- Não se pode comer frango... têm febre aviária
- Não se pode comer ovos... por causa das salmonelas
- Não se pode comer porco... por receio de que a febre aviária possa infectar os porcos
- Não se pode comer peixe... estão envenenados com os metais pesados existentes no mar
- Não se pode comer fruta nem vegetais... por causa dos insecticidas e dos herbicidas
Tinha quatro ou cinco links que queria acrescentar lá na lista e, simultaneamente, tirar as referências "NOVO" aos outros sites que tinha actualizado no início do mês.
Hoje é sábado, não tenho nada para fazer - perdão, não tenho nada que ME APETEÇA fazer -, por isso, meti mãos à obra e fui de link em link e de referência em referência.
Perdi-me de tal forma na Teia que, três horas depois, acabei com 22 blogs e sites acrescentados aos Links que recomendo!!!!
A Rebecca Sofia é o anjinho ali da foto... E o blog é escrito pelos pais, a Rosana e o Reinaldo. Uma doçura!
Esqueçam lá os albuns de fotos... aqui, vive-se o dia a dia desta criança querida... Sofremos de cada vez que ela está doente ou faz um dói-dói e fartamo-nos de rir quando descobrimos que ela espalhou as bolas da piscina um pouco por toda a casa...
Para que os Direitos Humanos sejam também os direitos da Mulher
A Amnistia Internacional tem em curso uma campanha de defesa dos direitos das mulheres...
A Violência Sobre as Mulheres é uma das mais vastas e persistentes violações de Direitos Humanos, e manifesta-se em diversos contextos: na família, na comunidade, nas instituições estatais, em situações de custódia e em situações de conflito e pós-conflito armado.
Aldeia Global
Como é que seria a violência sobre mulheres num mundo visto à escala reduzida, numa aldeia global de 1000 pessoas? (os números são baseados nas estatísticas da ONU, OMS e organizações governamentais e não-governamentais)
- 500 pessoas são mulheres
- Seriam 510, mas 10 nunca chegariam a nascer devido ao aborto por escolha de sexo ou morreriam devido a cuidados médicos inadequados
- 300 são mulheres asiáticas
- 167 destas mulheres são espancadas ou expostas à violência durante a sua vida
- 100 destas mulheres serão vitimas de violação ou de tentativa de violação durante a sua vida
Estatísticas de casos em Portugal
Em relação à estatística apenas temos disponíveis dados relativos a 2002 (no ano de 2002 verificaram-se 11677 ocorrências criminais registadas pela PSP e GNR no contexto da Violência Doméstica) dos quais se podem aferir as seguintes referências percentuais:
- 82% dos suspeitos são do sexo masculino
- 85% das vitimas são mulheres
- 85% dos crimes são contra a integridade fisica
- 89% dos crimes são cometidos pelo conjuge ou pelo companheiro
Saiba mais aqui Subscreva os casos-apelo aqui E assine a Petição para Acabar com a Violência sobre as Mulheres aqui
Et maintenant en français parce que...
Les Droits Humains s'accordent aussi au Féminin
"Halte à la violence contre les femmes "
Du champ de bataille à la chambre à coucher, les femmes sont en danger.
En temps de paix comme en temps de guerre, les femmes sont victimes d'atrocités pour la simple raison qu'elles sont des femmes.
Des millions d'entre elles sont battues, violées, attaquées, mutilées, ou même assassinées.
Dans le monde, au moins une femme sur trois subit de graves violences au cours de sa vie.
En Europe, la violence domestique est, pour les femmes de 16 à 44 ans, la première cause de décès et d'invalidité, avant le cancer et les accidents de la route.
Durão Barroso discursou hoje no Parlamento Europeu. A eurocâmara tem esta característica fantástica: é a única instituição europeia que tem 20 - VINTE - línguas oficiais de trabalho, tantas quantas as línguas oficiais principais dos 25 Estados membros da União Europeia.
Premissa: cada eurodeputado, isto é, cada representante eleito pelos cidadãos europeus, tem o direito de se exprimir e de ouvir na sua própria língua.
Para tal, uma bateria de tradutores-intérpretes trabalha para o Parlamento Europeu. É uma máquina linguística que custa, anualmente, 225 milhões de euros ao erário público europeu - isto é, 50 cêntimos a cada um de nós, a cada um dos 450 milhões de habitantes europeus, todos os anos.
Ora, Durão Barroso fez tábua rasa da premissa, armou-se em despesistas e resolver falar em todas as línguas que aparentemente conhece, negando aos 24 eurodeputados portugueses o direito - consagrado no regulamento do europarlamento - de ouvirem o discurso de um político português em português!
Estou habituada a acompanhar os discursos no Parlamento Europeu - ossos do ofício - e, garanto-vos, esta foi a primeira vez que vi um político fazer algo semelhante.
Quando Durão Barroso começou por se dirigir em castelhano ao recém-eleito presidente do Parlamento Europeu, não fiquei chocada. Dizer "Buenas tardes señor Presidente, gracias por recibirme aquí" não me chocou absolutamente nada. É corrente, no Parlamento Europeu, os políticos darem as boas-vindas ou cumprimentares os anfitriões na sua própria língua. Logo de seguida, Barroso continuou o discurso em português. Mas cerca de 10 minutos depois começou, verdadeiramente, o show off. Durão Barroso continuou le discours em francês e alguns minutos depois fez o switch para o inglês.
Algumas horas antes, Jan Peter Balkenende, o primeiro-ministro de um PEQUENO país - a Holanda - e presidente em exercício do Conselho da União, apresentou na mesma assembleia o seu programa de trabalho para o semestre... em neerlandês!
Balkenende, que por acaso também fala várias línguas, não precisa de fazer palhaçadas para chamar a atenção. Balkenende defende, por gestos assim tão simples, a identidade da sua própria língua.
Nós sabemos que se espera que o presidente da Comissão Europeia domine mais do que uma língua. Mas nós também sabemos, como todos os eurodeputados - mesmo os não portugueses - já sabiam, que Durão Barroso fala fluentemente francês e inglês.
O que nós sabíamos era até onde se pode rebaixar um homem, até onde se pode rebaixar a cultura, a língua e a identidade de um País!
Perguntava, a si próprio, se alguma vez teria coragem de sair com uma pessoa assim vestida, quando foi surpreendido por uma voz melodiosa mas com personalidade:
- Desculpe. Tem lume?
Foi assim que estabeleceram contacto. Jorge acendeu-lhe o cigarro. E viu, então, que ambos tinham comprado o mesmo jornal e que estavam abertos na mesma página.
(c) Dulce Dias - Um café em Paris
PS: Prometi à Sílvia publogar um pouco mais do conto, já que ela ficou "desconsolada" por ele acabar tão abruptamente...
Ele entrou na pastelaria com o à-vontade de quem se sente em casa. Tratou o empregado pelo nome, desejou-lhe os bons-dias e pediu "o costume". Afinal, desde que fora morar para o Príncipe Real, há uns seis meses, que se habituara a ir à Cister tomar o pequeno-almoço. Um copo de leite, um pão-de-leite simples e, para terminar, um café cheio. "O costume".
Mas, naquela manhã de Agosto, em vez de dar uma vista de olhos pelo jornal ao balcão, enquanto deglutia o pequeno-almoço, Jorge foi sentar-se. Na mesa ao lado da de Carolina e dos seus coruscantes olhos negros.
(c) Dulce Dias - Um café em Paris
PS: Este é um excerto de um conto que estou a (tentar) escrever... Acham que continue??
Hoje colhi a primeira salsa da minha floreira. Que odor e que sabor! Aquilo que dantes era uma coisa natural, tornou-se agora um prazer raro e incomensurável: colher salsa fresca para a comer logo de seguida.
Criada entre o campo e a cidade - que sorte! -, quando era menina, ia com a minha avó colher os frutos e legumes pela manhãzinha, quando ainda estão frescos. O pomar e a horta libertavam aromas inebriantes e puros. Na altura, a terra era terra e o único fertilizante era o estrume feito na estrumeira com os resíduos orgânicos do dia a dia. E em cada nova manhã, lá ia eu, gaiata, atrás da avó, colher os alimentos do dia. A vida era saudável.
Aqui, na cidade, nada tem cheiro, nada tem sabor. Mesmo num passeio pelo mercado, ao domingo de manhã, à beira Saône, embora o olhar se deleite com as cores, não encontro cheiros. As laranjas estão parafinadas. As maçãs, vindas de Israel, são calibradas. E os tomates são apenas bonitos de ver. E a salsa, ai a pobre salsa, nunca cheira a nada!
Cansei-me deste mundo sem odores. Por isso, as sementinhas na bagagem do avião, e aí estou eu, armada em nova agricultora, a semeá-las numa floreira, pendurada na janela da cozinha deste sexto andar de Lyon. A terra já não é exactamente terra, mas daquelas coisas ensacadas, que se compram nas grandes superfícies, mas enfim... é o possível. Demorou tempo, o tempo que a Natureza precisa de demorar para ser natural, mas a salsa medrou. E hoje colhi o primeiro raminho!
Há muito tempo que a meia-desfeita de bacalhau com grão não me sabia tão bem!
Enquanto suturava uma laceração na mão de um velho lavrador (ferido por um caco de vidro indevidamente deixado na terra), o médico e o doente começaram a conversar sobre o Santana Lopes.
E o velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe... Santana é uma tartaruga num poste...
Sem saber o que o camponês queria dizer, o médico perguntou-lhe o que era "uma tartaruga num poste".
A resposta foi:
- Quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste de vedação de arame farpado com uma tartaruga a equilibrar-se em cima dele, isso é uma tartaruga num poste...
O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e continuou com a explicação:
- O senhor não entende como é que ela chegou lá;
- O senhor não acredita que ela esteja lá;
- O senhor sabe que ela não subiu para lá sozinha;
- O senhor sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- O senhor sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto lá estiver;
- Então, tudo o que há a fazer é ajudá-la a descer de lá!
Para os amadores, o Yahoo tem uma fantástica galeria com estas e outras fotos do Euro2004...
Resta-nos a alegria de saber que o FC Porto ganhou a Taça UEFA... e que Durão Barroso será presidente da Comissão Europeia, se os eurodeputados derem luz verde, claro!
Sophia de Mello Breyner
Contudo, não posso deixar de prestar aqui uma homenagem a alguém de verdadeiro talento: Sophia de Mello Breyner, cujo funeral foi este domingo.
Ainda me lembro de como, miúda ainda, sonhava com os anões que viviam na Floresta e observava atentamente cada árvore, na tentativa de encontrar um...
Claro que a obra de Sophia não se reduz a um livro, mas foi este o que me deu a conhecer a autora, foi este o que mais me marcou, o que ficou, para sempre, impresso na minha alma.
Sophia de Mello Breyner, unanimemente considerada uma das maiores poetisas da língua portuguesa e uma «cidadã exemplar», é autora de dezenas de livros de poesia, conto e ensaio. inExpresso
Para os interessados, o artigo do Público também está muito bem escrito.