O crime de informar
Philippe Brunet-Lecomte, director do jornal
Lyon Mag' é alvo de um inquérito policial e foi mesmo constituído arguido, acusado de "
apologia de crime". Sabem qual foi o crime? Entrevistar um imã que, ele sim, defende que o marido pode bater na mulher, se ela o enganar. Uma declaração escudada no Alcorão, que o dito imã diz permitir.
Pergunto-me onde vai parar o jornalismo se um jornalista deixa de ter o direito de entrevistar quem quiser - mesmo que seja um criminoso, mesmo que seja um assassino, mesmo que seja George W. Bush...
Entrevistar uma pessoa não significa concordar com o que ela defende. O jornalista serve de intermediário no processo informativo. E se o referido imã é uma figura polémica - banida de Lyon e de novo
chamada a França para responder perante o tribunal pelos seus radicalismos religiosos -, um muçulmano não representativo da realidade do Islão de hoje em dia, e se todos nós temos eventualmente o direito de discordar profundamente das suas opiniões, nada disso dá, à justiça francesa, o direito de perseguir o director do jornal que o entrevista.
Onde pára a liberdade de Imprensa? Não em França, evidentemente!