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Blog da jornalista Dulce Dias, onde se faz eco da constatação (e, eventualmente, da consternação) do mundo que nos rodeia. São apenas rascunhos do próprio pensamento, libertos ainda da censura da razão.

Convido-vos a lê-los e a darem a vossa opinião.
Pelo e-mail: dulced@gmail.com,
ou no livro de visitas.

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Citação preferida:
A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original.
Albert Einstein


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ENTRE O MONTE E O RIO

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Terça-feira, Maio 25, 2004

O crime de informar


Philippe Brunet-Lecomte, director do jornal Lyon Mag' é alvo de um inquérito policial e foi mesmo constituído arguido, acusado de "apologia de crime". Sabem qual foi o crime? Entrevistar um imã que, ele sim, defende que o marido pode bater na mulher, se ela o enganar. Uma declaração escudada no Alcorão, que o dito imã diz permitir.

Pergunto-me onde vai parar o jornalismo se um jornalista deixa de ter o direito de entrevistar quem quiser - mesmo que seja um criminoso, mesmo que seja um assassino, mesmo que seja George W. Bush...

Entrevistar uma pessoa não significa concordar com o que ela defende. O jornalista serve de intermediário no processo informativo. E se o referido imã é uma figura polémica - banida de Lyon e de novo chamada a França para responder perante o tribunal pelos seus radicalismos religiosos -, um muçulmano não representativo da realidade do Islão de hoje em dia, e se todos nós temos eventualmente o direito de discordar profundamente das suas opiniões, nada disso dá, à justiça francesa, o direito de perseguir o director do jornal que o entrevista.

Onde pára a liberdade de Imprensa? Não em França, evidentemente!